Muito potencial e pouca interferência = performance

Existe uma ilusão que acompanha a vida profissional de muita gente: acreditar que esforço, por si só, garante reconhecimento, mas a verdade é que não garante.

Todos nós crescemos ouvindo que “quem trabalha duro chega longe”. Existe verdade nisso, mas ela está incompleta. Trabalhar duro é condição necessária. Nunca foi condição suficiente.

A prática do mercado é clara ao afirmar que o mercado não remunera intenção e sim valor entregue.

Em outras palavras as empresas não contratam pessoas pelo potencial que elas possuem. Contratam pela expectativa do resultado que esse potencial será capaz de produzir. E, quando chega o momento de uma promoção, de um aumento salarial ou mesmo da permanência na organização, a pergunta raramente é “quanto essa pessoa se esforçou?”. A pergunta é: qual foi o impacto da sua entrega?

Isso pode parecer injusto para quem se dedica diariamente, mas é exatamente assim que organizações sustentáveis funcionam.

Você pode trabalhar doze horas por dia, responder mensagens de madrugada, chegar antes de todos, sair depois de todos e vestir a camisa da empresa como ninguém. Ainda assim, se tudo isso não se traduz em entregas relevantes, dificilmente seu esforço será suficiente para justificar reconhecimento.

Da mesma forma, é muito raro encontrar alguém sendo desligado por gerar resultados consistentes. Quando isso acontece, normalmente existe outro fator envolvido: comportamentos incompatíveis com a cultura da organização, aliás, resultado e cultura caminham juntos. Não basta entregar muito, também importa como essa entrega acontece.

É justamente nesse ponto que muitos profissionais confundem dois conceitos completamente diferentes: esforço e esforço inteligente.

Veja: Esforço é quantidade. Esforço inteligente é qualidade aplicada na direção correta.

É possível gastar muita energia resolvendo problemas que nunca deveriam existir. É possível trabalhar o dia inteiro apagando incêndios criados pela falta de planejamento. É possível terminar uma semana exausto sem ter produzido absolutamente nada que mova os indicadores do negócio. Estar ocupado não significa estar produzindo. Movimento não é sinônimo de progresso.

Por outro lado, profissionais de alta performance aprendem a fazer uma pergunta antes de iniciar qualquer atividade:eEssa ação aproxima o resultado que preciso entregar? Se a resposta for não, talvez o problema não seja falta de dedicação, mas sim a falta de prioridade.

Existe outro aspecto importante nessa discussão: o esforço é praticamente a única variável que conseguimos controlar integralmente. O resultado depende de fatores externos: mercado, equipe, cliente, recursos, cenário econômico, decisões estratégicas e até mesmo do acaso.

Mas justamente porque não controlamos o resultado, precisamos ser extremamente criteriosos com aquilo que controlamos. Exemplos disso seria:

a) a qualidade das decisões;

b) a forma como organizamos o tempo;

c) as prioridades que escolhemos;

d) a capacidade de eliminar distrações;

e) a disciplina para executar o que realmente importa;

É isso que transforma esforço em performance.

E existe uma última reflexão que considero fundamental, especialmente para quem lidera pessoas: se uma equipe possui profissionais competentes e, mesmo assim, não entrega resultados, talvez o problema não esteja nas pessoas. Talvez esteja nas interferências. Exemplos clássicos são:

a) processos confusos;

b) metas mal definidas;

c) comunicação falha.

d) falta de autonomia.

e) excesso de burocracia.

f) liderança ausente.

A função de um líder não é apenas cobrar mais esforço, é remover obstáculos para que pessoas capazes consigam performar. No fim das contas, potencial nunca foi o ativo mais valioso de um profissional. Entrega é!

Porque potencial representa aquilo que alguém pode fazer. Resultado representa aquilo que alguém já fez. E o mercado continua tomando decisões com base nessa diferença. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Estou me esforçando o suficiente?”

Mas sim:

“Meu esforço está sendo convertido em resultado?”

Porque trabalhar duro continua sendo importante. Mas trabalhar com direção é o que transforma potencial em performance.

Escrito por: Paulo Victor Moreira. Advogado, gestor de Recursos Humanos, consultor em gestão estratégica de escritório de advocacia e palestrante.

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